Acabei de ler vidas secas de Graciliano Ramos. O livro é excelente do começo ao fim.
No livro Fabiano é o chefe da família, ele vive no sertão, mas por favor, esqueça aquele jeca descrito por Monteiro Lobato ou pela música romaria (sou caipirapiraporanossa…) cantada pela parideira de fracassados Elis Regina. Graciliano Ramos conseguiu dar vida a um caboclo, descrevendo seus pensamentos, a sua vontade falar o que pensa e a angustia de não conseguir nem expressar o sofriemnto que está passando. Ele sua mulher, a incrível Sinha Vitória, tentam viver através da seca, levando seus filhos (o menino mais velho e o menino mais novo, assim são chamados o livro inteiro) para algum lugar onde não sejam mortos pela falta de chuva.
O romance narra a história do Brasil que eu conheço, basta dizer que a minha família (a partir dos meus bisavôs) saiu do Espirito Santo (por causa da seca), foi para Minas Gerais, onde viram fartura, viram plantações acabadas por causa da broca (praga que dá no café) e novamente seca. Meu pai com 20 anos foi com a Mulher e dois meninos (o mais velho e o mais novo) para Brasília (nota-se o espírito aventuireiro do meu pai, imagina o que existia em brasília há 40 anos atrás, uma cidade recém construida). De Brasília foram de trem até campinas (curiosamente onde eu moro atualmente) para depois morarem em um barraco em Carapicuíba, um pouco mais a frente da história, eu faço o papel do menino mais novo.

No livro, Fabiano tem um respeito enorme pelo governo. Este respeito é acabado depois que ele é preso sem ter nenhum motivo. Mesmo sendo preso, enganado pelo patrão, obrigado a pagar impostos mesmo vivendo na miséria, Fabiano se acomoda e diz: "Governo é Governo". Fabiano tenta encontrar palavras para se expressar, mas não consegue, é um indignado que não pode fazer nada. Tenho parentes em Rondônia que, mesmo nos dias de hoje, passam por situação semelhante a Fabiano. O que "sustenta" a vida deles, é o bolsa família dada pelo governo. São eleitores de Lula, e de quem prometer continuar dando o bolsa família no próximo governo.

Fabiano em certo ponto do livro diz que é um homem, pouco depois se remenda e diz que é um bicho. E eu no papel de menino mais novo, me maravilho com que Fabiano faz e fala, cada vez mais.