
Final de semana de descanso, DVD e família. Tava muito tranquilo e para melhorar choveu. Tinha algumas coisas para fazer para a empresa mas resolvi ligar o botão "deixa prá lá".
Tenho muito o que dizer sobre o filme "Taxi Driver". Primeira coisa é que não recomendo ele para ninguém. É sério, cansei de correr estes riscos. Eu adorei este filme de coração, mas entendo perfeitamente quem não gostar. Sem este lance de "você não entendeu a mensagem". Não tem mensagem oculta, ele é bem direto. O filme é bom para mim, e pode simplesmente não ser bom para outras pessoas e pronto.
Vai soar estranho, mas me identifico terrívelmente com o filme. Não é estranho na verdade, é um pouco triste. Posso tentar simplificar a história aqui, e isso seria um exercício imenso para mim, mas vamos lá. Por algum motivo eu quero fazer isso.
Vamos por partes, o nome do filme é "Taxi driver" mas porderia se chamar "garoto do caixa", "menina do posto", "atendente do Mac" ou qualquer outra profissão que representa um "caixão" para a pessoa ("Dormindo com Canibais" não ficaria totalmente deslocado também). O nome do taxista é Travis, e só poderia ser interpretado por Robert de Niro… o cara tá perfeito. No bônus do filme, diziam que ele encarnava o Travis até nos intervalos, ele simplesmente não parava. Travis trabalha 12 horas por dia, mora sozinho em um apartamento e está entrando em depressão.
O filme mostra como a cabeça dele vai corroendo com o tempo. Um anti herói típico que mostra traços de racismo e é aparentemente Republicano, extremista e com forte tendência a ser violento (apesar de ser muito calado e aparentemente calmo). Ele vai em um cinema pornô nas horas de descanso, mas não exatamente por ser um tarado da vida. Parece que vai lá por parecer um lugar que aceita ele
O filme não é uma sequência clara, mostra vários fatos da vida de Travis sem ter uma ligação perfeita entre eles. A trilha sonora é um jazz (mas tem até toques de harpa) meio quebrado, que acaba dando um certo tom de desânimo no filme (que combina, mas é outra coisa que pode deixar o filme "chato"). O fato de estar sempre sozinho, de não conseguir dormir, de trabalhar em excesso faz ele atingir o "Ponto da curva" (oi Lia) da vida que exige alguma providência da pessoa, ou a depressão domina. Ele reagiu, resolveu mudar as coisas, da maneira dele, o cara se entrega a esta "loucura" e isto acaba com ele (detalhe, a maneira dele mudar as coisas é mais ou menos igual a tentar matar o Obama uns três meses atrás, literalmente). Obviamente que a tentativa dele dá toda errada. E é exatamente a consequência deste erro que transforma a vida dele. Ele se torna um herói na tentativa de se matar(tá complicado de entender, mas… foda-se, assista o filme), mas… sinceramente, o filme deixa totalmente claro que, mesmo no final dando tudo certo para ele, tudo vai voltar ao começo para o Travis, que de nada vale este heroísmo.
No final do final, bem no finalzinho, o Travis está feliz, tinha sido reconhecido como herói pela loira gostosa do filme, mas ele olha no retrovisor do carro e leva um susto. O filme acaba sem mostrar o que o Travis viu no retrovisor. Mas sem estas dúvidas de "quem é o filho de Capitu". ele simplesmente se viu no reflexo.
José Wilker ia chorar com um resumo de filme assim. Mas é o que tenho para oferecer agora, e simplesmente não tinha a intenção de divulgar o filme. Tirando o meu da reta… típico e humano acho. Parece que não mas estou de bom humor. Sério mesmo. A Priscila corpo de caminhão, o Véio Tarado andam me deixando sorrindo. Eu amo isso.
Que faça frio esta semana, nada mais em especial. Se é para recomedar algo de verdade, tiras (quadrinhos, eu sou uma criança) da folha de Sábado. Os gêmeos Bá e Moon (autores da tira foda ai em cima) estão lá, além do Adão, Angeli e Laerte. Eu ainda vou comentar para os meus filhos de como essa época era boa.
