Com muito sono, em uma Itaquera quente e toda agitada por causa do gordo corinthiano que veio aqui (sim, aqui é o lar do corinthians, eu puxei a tanga de jesus na cruz com certeza para merecer isso) "comprar duas camisas" dele mesmo (?). Marketing é uma arte cretina, mas nào deixa de ser uma arte.

Tô tendo aula de psicologia na facul, e apesar de não ser muito simpatizante da aula no geral, a última foi ótima. Teve filminho, e como não poderia deixar de ser, o filme era com o Sr. (ainda não Dr.) Freud. O filme é em preto e branco e mostra o Freud ainda começando na carreira de levar fama com a tese dos outros. O Freud no filme é todo galã, está em um hospital tratando de pacientes com problemas de histeria (nem vou me dar o trabalho de explicar a doença, um site com um bom conteúdo sobre o assunto é esse aqui).

Bom, um dos casos retratados no filme é o famoso caso da Anna O. (no filme o nome dela é outro e ainda dizem que o nome dela nem é esse) que todo mundo já deve conhecer mas eu vou fazer o grande exercício mental de citar ele aqui. 

Para iniciar, Anna O. teve um grande trauma, que no caso foi a morte do pai. A própria menina teve que ir lá fazer o reconhecimento do corpo do pai, o que desencadeou (junto com várias outros problemas na infância e blá blá blá) um quadro de histeria na garota. Ela foi tratada por um médico chamado Breuer (futuro chapa do Freud) que inicialmente usou métodos de hipnose para tratar dela (para ter uma noção, a Anna O. não andava mais, estava cega e não bebia água (!), e tudo isso fruto do psicológico dela). Breuer sacou que com a garota hipnotizada, ele tinha acesso ao subconciênte da guria, onde os traumas mais profundos ficam "represados". Ao conseguir fazer que a menina explicasse a origem do trauma, ela acabava ficando "curada" ou melhor, "destravada" dos problemas físico que apresentava.

Depois, Breuer com ajuda do Freud (sempre ele) perceberam que não era necessário hipnotizar a coitada. Se fizesse ela falar sobre o trauma, o efeito era basicamente o mesmo. Eu ainda não terminei de ver o filme (vergonha, mas só na próxima aula) mas achei do caralho o caso. Lógico que eu não manjo nada de psicanálise e nem tenho o minimo interesse em me aprofundar. mas achei o caso bacana, principalmente com a forma que eles foram descobrindo isso.

Muitos consideravam a Histeria "frescura de mulher" e porra, nem culpo os caras. Quando uma pessoa está com depressão ou coisa parecida, as vezes sim, dá uma puta impressão que é falta do que fazer, falta do que a pessoa pensar. O foda é querer arranjar uma solução para que as pessoas dizem (meu erro por anos). A solução só a pessoa ou um médico consegue, o fato é simplesmente arranjar um jeito para que a pessoa consiga falar mais, ir até o fundo onde ela mesma não conheça, até onde ela não tem coragem para dizer para ninguém. Sou grato por as vezes ser procurado por pessoas que querem desabafar, e puta merda, gostaria de aprender a ouvir melhor. Lembro uma vez que estava no meu apartamento e meu pai me ligou (tinha acabado de instalar o telefone) e desconfio que não dei nem metade da atenção que ele merecia no momento.

Eu converso com tantas pessoas e com meu pai eu não conseguia me abrir direito… isso só foi mudar quando ele já estava indo embora. Bom, além de ouvir eu tenho que começar a aprender a falar, gritar um pouco mais. O blog é uma puta ferramenta para isso (agora não preciso mais de desculpa para escrever aqui, eba!) mas as vezes quebrar as represas de certas coisa que te atormenta é uma ótima para dormir bem. Falar uns puta que pariu, se desabafar é uma ótima, evita dores nas costas e aquela velha vontade de fazer o mundo parar de girar.